• Guilherme Cardoso

O homem que não bebia água



Hoje eu me lembrei de um velho companheiro de Banco, o Neider Rodrigues.contador durante uma época, nos anos 70, no Unibanco da Av.João Pinheiro, hoje Banco Itaú.

Ele tinha uns 50 anos de idade e nunca havia bebido água. Sim, era verdade e confirmado pela sua esposa e familiares. Ele nunca havia bebido água, desde criança. impressionante, alguém não beber água, esse líquido tão importante para a nossa vida. Mas bebia cerveja, e muito.

Todos os dias, no fim do expediente bancário, ele, Osmar Ganz e o João Rêmulo iam para um boteco perto da agência bancária, tomavam umas 12 cervejas cada um, não ficavam bêbados, e voltavam para o Banco para fechar o movimento do dia, que sempre dava diferenças, e obrigava alguns a ficarem até tarde da noite trabalhando.

Além de não beber água e beber muita cerveja, o Neyder tinha uma capacidade mental de gravar números na memória que era impressionante. O Osmar Ganz, que era o Chefe do setor de Cobranças também.

E os dois faziam apostas em dinheiro todo final de expediente para saber qual dos dois lima uma vez e repetia sem errar vários números do balancete diário do Banco.

Eram várias contas bancárias com valores enormes e variados, tipo Saldo em conta corrente do dia: 1.527.353, 25. Contas transferidas para o Banco Central: 47.935.432,55.

O balancete Diário do Banco era todo datilografado à máquina por mim, conferido pelo Osmar Ganz e carimbado e rubricado pelo Contado que era o Neyder. E tinha uns 50 títulos de contas, cada um com valores e números diferentes. E ganhava a aposta quem acertasse mais valores de contas.

Eu, que me considerava também bom de memória, era um dos que participavam das apostas diárias. Eu nunca ganhava. As apostas eram ganhas ora pelo Osmar Ganz e na maioria das vezes pelo Neyder, o homem que nunca havia bebido água na vida.

São histórias, são casos e causos de tempos passados, tempos que não voltam mais.


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