• Guilherme Cardoso

O burro dentro de campo


Eu já comentei sobre o Edgar em um dos meus vídeos. Foi quando contei sobre a surra que ele deu no nosso time da JUF, quando subiu no caminhão e bateu na turma toda por causa de uma gozação.

Pois é. Esse mesmo Edgar tem outro acontecimento esquisito entre os muitos que ele fazia no bairro da Pompeia em Belo Horizonte e em bairros vizinhos.

Era um domingo de manhã. O time da JUF estava jogando uma partida de futebol no campo do Santos no bairro Vera Cruz. Era um campo todo de terra, cheio de buracos, como a maioria dos campos de várzea da época, mas esse campo era o pior de todos pois o seu piso era desnivelado e muito, uma verdadeira descida entre um gol e o outro.

Levava vantagem quem ganhava no sorteio para começar jogando de cima para baixo. Era só chutar que a bola descia em alta velocidade e goleiro nenhum conseguia segurar. Já no segundo tempo, quando o time mudava para a parte de baixo, ai o sofrimento se invertia.

O jogo tinha começado e de repente um burro entra em campo e fica estático lá dentro. Não quer sair de jeito nenhum. A partida é interrompida.

Vários dos jogadores dos dois times tentam empurrar o burro, pegam docinhos dos vendedores e oferecem para ele e nada. Outros mais irritados com a partida interrompida até jogam pedras no burro empacado, mas ele nem se mexe.

De repente alguém se lembra de chamar o Edgar que morava uns três quarteirões dali.

Quinze minutos depois, chega o Edgar, só de calção, sem camisa, chupando um picolé que algué lhe deu, já que ele não comprava nada. Todos lhe davam as coisas que ele pedia. Por dó ou mesmo por medo da sua força e ignorância.

Edgar vai ao meio do campo onde o teimoso burro permanece imóvel, jogadores e torcida ficam em volta esperando o que o Edgar vai fazer.

Sem mais delongas, Edgar olha nos olhos do burro e dá-lhe um soco certeiro no meio da testa. Como numa luta de boxe o teimoso burro cai duro no chão, desmaiado em nocaute com aquele soco feito uma marreta.

Com o burro desmaiado, arranjaram uma corda de bacalhau, Edgar amarrou no pescoço do burro e o puxou para fora do campo como se arrastasse um cachorro de tamanho médio.

Feliz com o feito realizado, Edgar volta para casa, um barracão de dois cômodos em que morava com sua velha mãe, sempre de prontidão a espera de um novo chamado para realizar mais uma de suas façanhas.

Sem o burro o jogo continua, há uma rivalidade grande entre JUF e o Santos, muita botinada em campo, pura terra e buracos, o nosso time da JUF sai vencedor por 4 a 3, com o gol da vitória feito pelo zagueiro Ari Boscatti em falta de fora da área no último minuto da partida.


São casos e causos, vividos e presenciados por mim, em tempos antigos, tempos que não voltam mais.

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